sábado, 26 de maio de 2012

Campos

"Há em Portugal, pelo menos, duas linhagens de Campos: uma portuguesa e outra espanhola (v. Campo). Dos Campos portugueses o mais antigo que se conhece é Martim de Campos, que vivia em Entre Douro e Minho no tempo de D. Afonso III e foi senhor do casal de Cortinal Grande e de mais bens na freguesia de Sant'Iago de Atães, termo da vila do Prado, comarca de Viana do Castelo, como se verifica nas Inquirições que o mesmo Príncipe mandou fazer. Deste Martim de Campos ficou a geração do seu apelido.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, escreveu dos Campos, a quem atribuía por ascendente o Conde D. Ramiro de Campos, um dos maiores, se não o maior, dos senhores de Espanha no seu tempo, a seguinte quintilha:

Deste Ramiro afamado 
de Campos conde e senhor 
vem os Campos, cujo honor 
lhe deu brazão sublimado 
digno de todo o louvor.

D. Afonso V, por carta de 11-V-1465, concedeu a Gonçalo Vaz de Campos, escudeiro e criado do prior da Ordem de S. João, D. Frei Vasco de Ataíde, e alcaide da Vila de Crato pelo mesmo prior, por serviços que o mesmo Gonçalo Vaz prestara na tomada de Alcácer, em África, armas de mercê nova, assim como seguem: De azul, com três cabeças de leão, cortadas, ensanguentadas e lampassadas de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Castelo-Branco

"Não se sabe ao certo qual a origem desta família, supondo alguns que procede da dos Castelos-Brancos, de Espanha, do Reino de Aragão. O primeiro que parece ter usado o apelido em Portugal é Martim de Castelo-Branco, que vivia pelos anos de 1255 na vila de Castelo Branco, em tempos de D. Afonso III, do qual parece descenderem em linha recta os que com o mesmo apelido habitaram posteriormente a mesma vila e dela se difundiram pelo Reino.
João Rodrigues de Sá escreveu no século XVI os seguintes versos, cantando esta família:

Onde se der campo franco 
em novo mas dino estado, 
rompente lyão dourado 
trarão os de Castel Branco 
em campo azul assentado.

E de sua perfeyção, 
E quanto val com razão, 
dará muyto certa prova 
em seu nome Vila nova, 
aquela de Portymão.

Também o bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, na sua Heraldologia Métrica, não esqueceu os Castelos-Brancos. É dele esta quintilha:

Dos que nos campos valentes 
d'Ourique sacrificaram 
seu sangue onde alcançaram 
a fama, mas seus descendentes 
Casteis Brancos se chamaram.

As armas desta linhagem são: De azul, com um leão de ouro, armado e lampassado de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Barreto


"Entre as mais antigas e nobres famílias de Portugal encontra-se a dos Barretos, pois descende de D. Arnaldo de Bairão, pai de D. Guido Araldes, avô de D. Soeiro Guedes, bisavô de D. Nuno Sorares, trisavô de D. Soreiro Nunes, 4.º avô de Nuno Soares, que casou com Maira Pires Perna, filha de D. Pedro Pais Escacha.

De Nuno Soares e da sua mulher, Maior Pires Perna, nasceu Men Nunes Velho, sepultado no mosteiro de Carvoeiro, junto da barra de Viana do Castelo, o qual o seu casamento teve filhos que tomaram o apelido de Barreto, parece que derivado de terem o solar junto da referida barra. Gomes Mendes Barreto, filho sobredito Nem Nunes Vilho, possui, por sua mãe, parte do padroado da igreja de Valadarez, em Baião, uns casais de honra de Gestaçô, parte do padroado da vila de Marim, e uma herdade na mesma freguesia. Viveu em tempo dos Reis D. Afonso II e D. Sancho II e recebeu-se com D. Constaça Pais, filha de D. Paio Gomes Gravel e de D. Sanchas Pais, de cujo matrimónio houve geração continuadora do apelido.

O Bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, nas suas trovas dedicou aos Barretos a seguinte:

O de Bretanha senhor 
mandou contra os Mahometos 
seu filho de grão valor 
à Hespanha, e dos Barretos 
foi este progenitor.

Também o insigne linhagista Manuel de Sousa da Silva não se esqueceu deles, contando-os nesta quintilha:

Na barra do claro Lima 
Dos Barretos o Solar 
Esteve junto do mar 
Que deitando areia em mim 
O veio a sepultar.

Trazem por armas: De aminhos, pleno. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Silva

"Família das mais considerada na Península, a qual se diz porvir dos reis de Leão. D. Guterre Pais, governador da terra da Maia, teve por filho D. Pelaio Guterres, governador de Alva, e por neto a D. Guterre Alderete, rico-homem, senhor de Alderete e da torre da Silva situada na aldeia do Alderete, freguesia de Cerdal, termo de Valença do Minho, da paróquia de Oserdão, de Alderete e de Jozam.
Acompanhou o conde D. Henrique de Borgonha e esteve na tomada de Coimbra pelo rei de Castela D. Fernando I. Daquela torre tomou o apelido de Silva, que transmitiu à sua geração. Casou-se com D. Maior Peres de Ambia e teve D. Paio Guterres da Silva, rico-homem, adiantado-mor de Portugal, governador de muitas terras pelo rei D. Afonso VI de Leão, alcaide do castelo de Santa Eulália, senhor de Alderete, da torre da Silva e do porto da Figueira. Fundou os mosteiros de Cucujães, Tibães, São Simão da Junqueira, São Salvador do Souto e Santo Estêvão de Vilela. Recebeu-se com D. Sancha Anes, filha de D. João Ramiro, senhor de Montor, neta de Ramiro Frade, da qual teve filhos, e contraiu segundas núpcias com D. Urraca Rabaldes, filha de Cristóvão Anes e de D. Maria Rabaldes, de quem houve geração. Os filhos de ambos os matrimónios tomaram o apelido de Silva e por eles se continuou a linhagem.

João Rodrigues de Sá, senhor de Matosinhos, nas suas coplas heráldicas, disse desta linhagem:

Do metal mais eycelente 
os que trouxeram lyão 
em prata, Sylvas serão, 
que oje sacha presentea 
mais antygua jeração 

Foram seus progenitores 
Capetos, & Numitores, 
Reys d'Alva, donde vyeram 
os irmãos que nom couberão 
num soo reyno doos senhores.

Igualmente cantou os Silvas o bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, nos versos seguintes:

Trazem leão e mais sanguinho 
os Silvas da Corunha e Vigo 
cujo solar é no Minho 
junto de S. Vitorino 
nobre leal e antigo. 

Estes condes de Cilfantes 
são garfos de Portugal 
vem nos criados nos montes 
por um fero animal 
que não perdoa os infantes.

Deve-se, também, versos alusivos à mesma linhagem ao insigne genealogista Manuel de Sousa da Silva, capitão-mor de Santa Cruz de Riba Tâmega. É dele a quintilha:

Esta illustre e fatal 
A quinta da Silva mão 
que perto de Braga está 
A Hespanha e Portugal 
Catorze títulos dá.

As armas desta família são: De prata, com um leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho ou de azul. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Aires

"Na armaria portuguesa existem armas de uma família Aires, cuja proveniência se desconhece. Não se sabe quem primeiramente as usou e nem se pode inferir do nome qual a família a que pertencem, podendo, portanto, existir diversas famílias com igual designação e origens diversas.

Parece, contudo, que esta andava aliada à dos Peixoto Cachos, pois eles trazem as mesmas armas, que são: De verde, com braço armado de prata, saindo do flanco esquerdo do escudo, tendo na mão um punhal do mesmo, guarnecido de ouro, com a ponta para baixo."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

da Gama

"O mais antigo que se conhece deste apelido é Álvaro Anes da Gama, cavaleiro honrado que, no tempo de D. Afonso III viveu em Olivença. Serviu na conquista do Algarve e foi pai de João Álvares da Gama, contemporâneo de D. Dinis e D. Afonso IV, com o qual, já idoso, se encontrou na batalha do Salado. Casou com Guimoar Cogominho de quem teve Álvaro Anes da Gama, que alcançou o reinado de D. Fernando I, e de sua mulher, Maria Esteves Barreto, houve a Estêvão Vaz da Gama. É neste que os genealogistas costumam principiar os Gamas. Foi casado com Catarina Mendes, que enviuvando aos treze anos viveu com grande virtude e honestidade. Esta senhora fundou a ermida de Nª Srª da Graça, em Elvas, onde morreu seu marido, num monte fora dos muros da praça, contíguo à cidade. Deixou um filho, por nome Vasco da Gama, de quem proveio larga e ilustre geração, entre a qual se encontra o almirante D. Vasco da Gama, seu neto.

João Rodrigues de Sá, nas suas trovas, diz com respeito a D. Vasco da Gama:

A quem lhachou novo mundo 
nova terra, & novo clyma 
deu el rey em grandestima 
sobre os da Gama en fundo 
as suas armas en çima. 

E em quanto dura a fama 
que a India de si derrama 
sempre hyra em nome diante 
do seu primeyro almyrante, 
estee Dom Vasquo da Gama.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, igualmente cantou o almirante nas suas quintilhas, escrevendo:

Venceu primeiro com fama 
as partes orientaes 
e descobriu outras tais 
o grão D. Vasco da Gama 
que trás as quinas reais.

As armas dos Gamas são: Xedrezado de ouro e de vermelho, de três peças em faixa e cinco em pala, as de vermelho carregadas de dois filetes de prata postas em faixa. (...)



A D. Vasco da Gama concedeu D. Manuel I, talvez com o ofício de almirante e o tratamento de dom, em 1500, o acrescentamento nas suas armas, pela forma seguinte: Xedrezado de ouro e de vermelho, de três peças em faixa e cinco em pala, as de vermelho carregadas de dois filetes de prata postas em faixa; e um escudete de prata com cinco escudetes de azul postos em cruz e carregado de cinco besantes de ouro, brocante, ao centro sobre a segunda tira e parte da terceira. (...)"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete