quarta-feira, 13 de junho de 2012

Guerra

"Há duas famílias deste apelido em Portugal, uma das quais originária das Astúrias, onde é o seu solar. Desta veio para Portugal Sebastião Rodrigues da Guerra, fidalgo ilustre da Galiza, que viveu na Beira, casado com Isabel Rodrigues, sendo ascendente dos Guerras da vila de Linhares e de outras partes da mesma província. Parece que também outros da mesma família vieram para o nosso país.

Outros Guerras provêm do Rei de Portugal D. Pedro I e de D. Inês de Castro, filha bastarda de D. Pedro Fernandes de Castro, o da Guerra, senhor de Lemos, Sarria e Trastamara, rico-homem e mordomo-mor de D. Afonso XI de Castela, adiantado-mor da fronteira e pertigueiro-mor da terra de Santiago, e de D. Aldonça Soares de Valadares, filha de D. Lourenço Soares de Valadares, rico-homem e fronteiro-mor de Entre Douro e Minho, e de sua mulher, D. Sancha Nunes de Chacim. Seu filho, o Infante D. João, senhor da terra e julgado de Lafões, das vilas de Seia e de Porto de Mós, de Gulfar, Sátão, Penalva, Rio de Moinhos, Besteiros, Sever, Fonte Arcada, Benviver, Moimenta, Armamar, Tanha, Riba de Vizela, Figueiredo, Aguiar da Beira, Cerquiz, Oliveira do Conde, Oliveira do Bairro, com suas jurisdições e rendas, e, também de Gouveia, o qual por seu segundo casamento com D. Constança, filha bastarda de D. Henrique de Castela e de D. Elvira Iñiguez de la Vega, teve o condado de Valência e outras terras. Houve três filhos ilegítimos: D. Afonso de Cascais, D. Paio da Guerra e D. Fernando de Eça. D. Pedro da Guerra recebeu-se com D. Teresa de Andeiro, filha de D. João Fernandes de Andeiro, Conde de Ourém, não se sabendo se foi desta mulher que deixou descendência, na qual continuou o apelido de Guerra, proveniente da alcunha posta a D. Pedro Fernandes de Castro, pai de D. Inês de Castro.

Os Guerras, de que primeiro se tratou, usam por armas: De verde, com uma torre de prata, assente sobre chamas, que a envolvem; bordadura de ouro, carregada da legenda AVE MARIA GRATIA PLENA, de negro. (...)


Os Guerras descendentes do Infante D. João trazem por armas as mesmas que os Eças (v. Eça)"

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete


domingo, 10 de junho de 2012

Casado

"Família de origem castelhana que provém dos Palomaques. Gomes Peres Palomeque, que se supõe pertencer à linhagem dos Carrilhos, foi pai de Diego Gomes Palomeque, casado com D. Teresa de Toledo. Este foi adiantado de Carçola no ano de 1299 e primeiro senhor de vila de Garcies e da torre de S. Tomé, no termo de Jaen, e alcaide-mor da vila e castelo de Quesada, junto de Baeça, no bispado de Córdova, cuja torre comprou para nela fazer fortaleza que defendesse os Cristãos dos Mouros que os perseguiam naquela região. Pedro Dias Carrilho casou com D. Teresa Rodrigues de Biedma, filha de Rodrigo Iñigues de Biedma e de D. Joana Dias de Tunes, da qual teve Diego Sanches de Quesada, 2º senhor da vila de Garcies e da Torre de S. Tomé, pelos tempos de D. Afonso XI de Castela e de seu filho, D. Pedro, o Cruel, a quem seguiu, passando a Portugal, quando se fizeram as pazes. Dele foi filho, entre outros, Ponce Dias de Quesada, morto no concelho de Aguiar com mais fidalgos por D. Pedro, o Cruel, Rei de Castela no ano de 1353, motivo por que seus filhos saíram de Castela, vindo para Portugal Lopo Dias de Quesada, que neste Reino foi agasalhado com honra. Estabeleceu-se no Porto e do seu matrimónio teve Martim Dias de Quesada, que viveu na mesma cidade, onde foi cidadão. Deste nasceu João Casado, também cidadão do Porto, onde morou nos reinados de D. Duarte e de D. Afonso V. Passou a Viana do Castelo e aí recebeu com D. Maria Gomes Madriz, filha de D. Gomes Madriz, comendatário de S. Romão de Neiva. Foram estes os troncos dos Casados, corrupção de apelido e origem.

As armas dos Casados são as mesmas dos Quesadas, a saber; De vermelho, com quatro palas carregadas, cada uma, de seis pontos de arminho, de negro."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Carducho

"Família italiana que passou a Portugal, transformando o apelido originário - Carducci.

As suas armas são: Faixado de prata e de azul, com uma banda atravessante."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sábado, 9 de junho de 2012

Botelho

"Procedem os Botelhos de D. Vasco Martins Mogudo e de sua primeira mulher, D. Elvira Vaques de Saverosa, por seu filho Martim Vasques Barba, nascido quando ainda vivia o primeiro marido desta senhora, D. Paio Soares de Valadares. Martim Vasques casou-se com D. Urraca ou Elvira Rodrigues, filha de Rui Peres de Ferreira e de D. Teresa Peres de Cambra, e dela teve Pedro Martins Botelho, João Martins Botelho e Alda Martins Botelho, que, primeiro, se recebeu com Fernão Reimão de Canhedo e, em segundas núpcias, com João Pires Alcoforado, o Tenro. Tanto Pedro Martins Botelho como seu irmão João Martins Botelho casaram e tiveram filhos que continuaram o apelido.

O erudito Bispo de Malaca D. João Ribeiro Gaio, cantou os Botelhos nos seguintes versos:

Com D.Vasques Mecia 
Afonso Botelho casou, 
de quem esta linha ficou 
o qual com grande valentia 
em Aguiar acabou.

Também Manuel de Sousa da Silva, notável genealogista, os não esqueceu, escrevendo esta quintilha:

Lá em Ariz de Ferreyra, 
De Aguiar no Concelho 
Ha o logar de Botelho 
Dos Botelhos a primeira 
Casa do Portugal velho.

As Armas que lhe pertencem são: De ouro, com quatro bandas de vermelha. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

domingo, 3 de junho de 2012

Barvança

"Desconhece-se a origem desta família, sabendo-se apenas que as suas armas já existiam antes de 1509 por se encontrarem registadas no Livro do Armeiro-Mor. Se bem que os livros de armas em geral lhe dêem por apelido Barvança, supõem-se que esta forma é antiquada, correspondendo a Barbança.

As suas armas são: De ouro, com cinco escudetes de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

terça-feira, 29 de maio de 2012

Albernaz

"Família antiga, da qual se conhece no fim do século XIII e começo do seguinte D. Margarida de Albernaz, segunda mulher de Nuno Fernandes Cogominho, almirante do Reino em tempos de D. Dinis, almotacé-mor de D. Afonso IV e chanceler-mor de D. Pedro I, filho de D. Fernandes Cogominho e de sua mulher, D. Joana Dias.

D. Margarida de Albernaz e seu marido deixaram geração, procedendo deles os Cogominhos, e fundaram a capela de Nossa Senhora da Misericórdia na Sé de Lisboa, onde, em túmulo com figura jacente e as armas dos Albernazes e dos Cogominhos, jaz o corpo desta senhora.

No ano de 1378 instituiu um vínculo, que uniu à capela de Santo Estácio da Sé de Lisboa, Martim Afonso de Albernaz. Nos registos de D. João I também figura outro Albernaz, Álvaro Martins, dos Paços do Lumiar, talvez filho daquele, como faz supor o patronímico.

No tempo de D. Afonso V passou a Portugal Fernão Carrilho de Albernaz, que se casou com Maria Borges, de quem nasceu Fabião Borges de Albernaz, morador em Guimarães, pai de Diogo Borges de Albernaz, natural da mesma vila, que viveu na ilha da Madeira, onde deixou geração, e teve Carta de brasão de armas em 30-III-1538, e de Martim de Mesquita Borges, morador em Goa, que também tirou brasão de armas no ano de 1562.

As suas armas são: Esquartelado de azul e prata, com quatro carapeteiros de um no outro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Albornoz

"Descende esta família de D. Fernão Gomes de Aça, rico-homem que vivia nos princípios do século XIII, segundo senhor de Albornoz, que herdou de seu pai, D. Gomes Garcia de Aça, senhor de Aça, Aylon e Roa e alferes-mor de Castela, que o houve em sua mulher D. Maria Garcia.

De D. Fernão Gomes de Aça foi filho legítimo D. Álvaro Fernandes de Albornoz, que sucede a seu pai no senhorio de que tomou apelido, o qual é uma aldeia situada no distrito de Cuenca, e foi também alcaide de Moya. Dele provêm os Albornozes de Espanha, de onde passaram a Portugal. Por causa de um crime veio para Portugal Pedro de Albornoz, fidalgo castelhano, parente muito próximo do cardeal D. Gil de Albornoz, bispo de Sevilha, o qual se casou em Portelo, junto de Lamego, com Catarina Teixeira, filha de Gaspar Teixeira, e nesse lugar ficou residindo e deixou geração.

Os Albornozes são das mais antigas e ilustres famílias da Espanha, pois provêm dos Laras, que têm por varonia sangue da casa real de Leão.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, escreveu, acerca dos Albornozes:

Lá na mancha de Aragão 
de Vilhena Marquezado 
um cavaleiro afamado 
por armas tomou a mão 
e o senhorio do Condado.

Usam as seguintes armas: De ouro, com banda verde."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete