domingo, 1 de julho de 2012

Pamplona

"Família originária da Navarra, cujo apelido tomou da sua capital, a cidade de Pamplona, e tem solar em Trujillos. Passou a Portugal na pessoa de Vasco Pamplona, pai de Pedro Vaz Pamplona, morador na cidade do Porto em 1504, casado com Catarina Martins, de quem teve D. Maria Vaz Pamplona, senhora da casa de seu pai e casada com João Álvares, que no ano de 1525 instituiu a capela no mosteiro de S. Domingos, do Porto, filho de Álvaro Afonso Dinis, que viveu na referida cidade nos reinados de D. João I, D. Duarte e D. Afonso V e nela foi vereador em 1428,  neto paterno de Afonso Martins. Deste matrimónio com João Álvares, senhor do Paço de Beire, houve D. Maria Vaz geração, pela qual se propagou o apelido de Pamplona.

Ao ilustre genealogista do século XVII, Manuel de Sousa da Silva, se devem os seguintes versos em honra desta família:

Lá em Navarra Tadella
Foi patria do singular
Que por Pamplona livrar
Tem os seus nomes della
Vem para o Porto morar.

As suas armas são: De vermelho, com seis faixas de ouro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Ourém

"Família de origem desconhecida, cujo apelido deve ter tomado da vila de seu nome.

Atribuem-se-lhe as seguintes armas: De prata, com uma águia estendida de negro, armada de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sábado, 30 de junho de 2012

Távora

"A linhagem dos Távoras é das mais antigas e chegou ao reinado de D. José I, quando o apelido foi extinto por lei, com representação sem quebra de varonia, caso raro. Os genealogistas dizem que os Távora descendem do rei de Leão D. Ramiro II e de D. Artiga, que lhe dão por terceira mulher, informando que anteriormente se chamava Zara e era irmã de Alboazar Alcocadão, senhor de Gaia, da qual aquele soberano houvera a D. Alboazar Ramires, casado com D. Helena Godins, filha de D. Godinho das Astúrias, pais de D. Hermingo Alboazar, marido de D. Dordia Osores, de quem teve a D. Rosendo Hermingues, povoador e senhor da beatria de Távora, famoso guerreiro, o qual se recebeu com D. Urraca Afonso. D. Rosendo e sua mulher tiveram vários filhos, entre eles D. Tedon Rosendes, senhor de Távora, que contraiu matrimónio com D. Sancha Mendes, que teve terras até então incultas, onde fez quinta em que se originou a povoação de Granja do Tejo. Sucedeu-lhe seu filho D. Ramiro Tedóniz, senhor de Távora, e sucessivamente, de pais a filhos, D. Pedro Ramires, senhor de Távora e fundador do mosteiro de S. Pedro das Águias, D. Ramiro Pires, senhor de Távora, Pedro Ramires, que teve o mesmo senhorio, e Lourenço Pires de Távora, sucessor de seus maiores e senhor das vilas de Paradela, Valença e Castanheiro e do couto de S. Pedro das Águias, cujo padroado pertencia à família. Casou este Lourenço Pires de Távora com D. Guimar Rodrigues, filha de Rui Pais de Gares, de quem houve geração propagadora do apelido, cujo uso uma lei proibiu depois do atentado contra o Rei D. José I.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, dedicou aos Távoras estes versos:

As ondas de Távora são
de sangue azul mudadas
derramadas dos que estão
em S. Pedro já
sendo desta geração.

As armas que lhes pertencem e das quais estiveram privados pela lei, são: De prata, com cinco faixas ondadas de azul. (...)

Os marqueses de Távora (anteriormente Condes de S. João da Pesqueira, e Condes de Alvor) trouxeram as suas armas pelo modo seguinte, que vários ramos usaram: De prata, com cinco faixas ondadas de azul, a do meio carregada de um golfinho de prata; bordadura do campo, carregada das palavras Quasqunque findit, em letras de negro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Joanes

"Patronímico de João, assim como Anes, Eanes e Enes, pelo que a sua origem é vária. Os descendentes de Domingos Joanes, que viveu em Oliveira do Hospital, não se chamaram Joanes, mas, como este era o único apelido daquele, além do nome de baptismo, assim ficou registado nos livros de brasões de armas. A estátua deste cavaleiro encontra-se na capela dos Ferreiros, fundada por ele e sua mulher, na vila de Oliveira do Hospital. É equestre e ele está vestido de armas, empunhando maça, tem suspenso do ombro o escudo, onde se vêem as suas armas. Estas são: De azul, com aspa de prata acompanhada por quatro flores-de-lis de ouro. A aspa do escudo, com uma das flores-de-lis entre os braços superiores. Foram estas armas concedidas por Carta de 23 de Abril de 1515 ao seu quarto neto, Fr. André do Amaral, do Conselho do Rei D. Manuel, chanceler-mor e embaixador de Rodes, comendador de Vera Cruz. Por tal motivo alguns, erradamente, as descrevem como sendo do apelido Amaral."



Estátua de Domingos Joanes na Capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Sarcide

"Família irlandesa que veio para Portugal na pessoa de Roberto Sarcide, o qual fez assento em Lisboa e provando ser fidalgo e descender da linhagem do seu apelido teve Carta de brasão de armas de sucessão, passada a 21 de Junho de 1524, para si e seu filho.

As armas atribuídas a este apelido são as seguintes: De arminhos, com cruz de vermelho."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Guerra

"Há duas famílias deste apelido em Portugal, uma das quais originária das Astúrias, onde é o seu solar. Desta veio para Portugal Sebastião Rodrigues da Guerra, fidalgo ilustre da Galiza, que viveu na Beira, casado com Isabel Rodrigues, sendo ascendente dos Guerras da vila de Linhares e de outras partes da mesma província. Parece que também outros da mesma família vieram para o nosso país.

Outros Guerras provêm do Rei de Portugal D. Pedro I e de D. Inês de Castro, filha bastarda de D. Pedro Fernandes de Castro, o da Guerra, senhor de Lemos, Sarria e Trastamara, rico-homem e mordomo-mor de D. Afonso XI de Castela, adiantado-mor da fronteira e pertigueiro-mor da terra de Santiago, e de D. Aldonça Soares de Valadares, filha de D. Lourenço Soares de Valadares, rico-homem e fronteiro-mor de Entre Douro e Minho, e de sua mulher, D. Sancha Nunes de Chacim. Seu filho, o Infante D. João, senhor da terra e julgado de Lafões, das vilas de Seia e de Porto de Mós, de Gulfar, Sátão, Penalva, Rio de Moinhos, Besteiros, Sever, Fonte Arcada, Benviver, Moimenta, Armamar, Tanha, Riba de Vizela, Figueiredo, Aguiar da Beira, Cerquiz, Oliveira do Conde, Oliveira do Bairro, com suas jurisdições e rendas, e, também de Gouveia, o qual por seu segundo casamento com D. Constança, filha bastarda de D. Henrique de Castela e de D. Elvira Iñiguez de la Vega, teve o condado de Valência e outras terras. Houve três filhos ilegítimos: D. Afonso de Cascais, D. Paio da Guerra e D. Fernando de Eça. D. Pedro da Guerra recebeu-se com D. Teresa de Andeiro, filha de D. João Fernandes de Andeiro, Conde de Ourém, não se sabendo se foi desta mulher que deixou descendência, na qual continuou o apelido de Guerra, proveniente da alcunha posta a D. Pedro Fernandes de Castro, pai de D. Inês de Castro.

Os Guerras, de que primeiro se tratou, usam por armas: De verde, com uma torre de prata, assente sobre chamas, que a envolvem; bordadura de ouro, carregada da legenda AVE MARIA GRATIA PLENA, de negro. (...)


Os Guerras descendentes do Infante D. João trazem por armas as mesmas que os Eças (v. Eça)"

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete


domingo, 10 de junho de 2012

Casado

"Família de origem castelhana que provém dos Palomaques. Gomes Peres Palomeque, que se supõe pertencer à linhagem dos Carrilhos, foi pai de Diego Gomes Palomeque, casado com D. Teresa de Toledo. Este foi adiantado de Carçola no ano de 1299 e primeiro senhor de vila de Garcies e da torre de S. Tomé, no termo de Jaen, e alcaide-mor da vila e castelo de Quesada, junto de Baeça, no bispado de Córdova, cuja torre comprou para nela fazer fortaleza que defendesse os Cristãos dos Mouros que os perseguiam naquela região. Pedro Dias Carrilho casou com D. Teresa Rodrigues de Biedma, filha de Rodrigo Iñigues de Biedma e de D. Joana Dias de Tunes, da qual teve Diego Sanches de Quesada, 2º senhor da vila de Garcies e da Torre de S. Tomé, pelos tempos de D. Afonso XI de Castela e de seu filho, D. Pedro, o Cruel, a quem seguiu, passando a Portugal, quando se fizeram as pazes. Dele foi filho, entre outros, Ponce Dias de Quesada, morto no concelho de Aguiar com mais fidalgos por D. Pedro, o Cruel, Rei de Castela no ano de 1353, motivo por que seus filhos saíram de Castela, vindo para Portugal Lopo Dias de Quesada, que neste Reino foi agasalhado com honra. Estabeleceu-se no Porto e do seu matrimónio teve Martim Dias de Quesada, que viveu na mesma cidade, onde foi cidadão. Deste nasceu João Casado, também cidadão do Porto, onde morou nos reinados de D. Duarte e de D. Afonso V. Passou a Viana do Castelo e aí recebeu com D. Maria Gomes Madriz, filha de D. Gomes Madriz, comendatário de S. Romão de Neiva. Foram estes os troncos dos Casados, corrupção de apelido e origem.

As armas dos Casados são as mesmas dos Quesadas, a saber; De vermelho, com quatro palas carregadas, cada uma, de seis pontos de arminho, de negro."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete