quarta-feira, 4 de julho de 2012

Miranda

"Provém esta família de Afonso Pires de Charneca, cidadão principal de Lisboa, dos que ajudaram D. João I no começo do seu reinado e um dos cinco companheiros que D. Nuno Alvares Pereira tomou quando desafiou D. João Ansores. Foi também, um dos quatro que os de Lisboa escolheram e o Condestável tomou para o seu conselho. Teve o senhorio das Alcáçovas e de outras terras e, também, dos lagares de El-Rei em Lisboa, os quais lhe oram dados pelos serviços que prestou.

Afonso Pires recebeu-se com Constança Esteves, de quem houve, entre outros, a Martim Afonso de Charneca, o qual andou em demanda com seu irmão Afonso Rodrigues muito tempo sobre quem havia de herdar as Alcáçovas e os lagares de El-Rei, cabendo-lhes tudo por mandado de D. João I, se bem que era clérigo. Foi enviado por embaixador a França, de onde se diz trouxe uma senhora francesa, que outros pretendem ser castelhana e chamar-se D. Mécia Gonçalves de Miranda, da qual houve filhos que tomaram o seu apelido por a sua muito nobre linhagem. Foi arcebispo de Braga e instituiu dois vínculos, que deixou aos dois filhos mais velhos. O Rei lhe doou S. Cristóvão de Lisboa, onde fez uma capela para o vínculo principal, em cujo compromisso mandou que seus descendentes se chamassem Mirandas. Sepultou-se na referida capela. Seus foram Martim Afonso de Miranda, rico-homem, senhor do morgado da Patameira, junto de Torres Vedras, instituído por seu pai, o qual se recebeu com D. Genebra Pereira, filha de Aires Gonçalves de Figueiredo, com geração; Fernão Gonçalves de Miranda, senhor do segundo morgado instituído por seu pai, rico-homem, casado com D. Branca de Sousa, filha de Afonso Vaz de Sousa, com geração; D. Margarida de Miranda, primeira mulher de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Viana, com geração; D. Leonor de Miranda, mulher de Aires Gomes da Silva, com geração; e D. Maria de Miranda, primeira mulher de Gonçalo Pereira de Riba de Vizela, com geração.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, escreveu os seguintes versos, dedicados a esta família:

Aspa trazem colorada
os que tiveram Miranda
e aquela nobre Aranda
sobre ouro atravessada
com flores de lis em banda.

As armas dos Miranda são: De ouro, com aspa de vermelho, acompanhada de quatro flores-de-lis de verde. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Almeida

"Provêm os Almeidas de Fernão Canelas, senhor das quintas do Pinheiro e de Canelas, na freguesia de Mangualde, pai de João Fernandes de Almeida, que pelos anos de 1223 a 1245 fundou no julgado de Azurara da Beira, hoje concelho de Mangualde, uma aldeia, denominada Almeida, em 1258, da qual tomou o apelido, que transmitiu aos seus descendentes.

João Fernandes de Almeida foi também senhor das quintas do Pinheiro e de Canelas. A aldeia de Almeida no século XVII passou a chamar-se Almeidinha, lugar que deu nome ao título de Barão e Visconde, concedido aos Amarais Osórios.

Foi a dos Almeidas uma das mais preclaras famílias do Reino, deixando imorredoura memória nos feitos do Vice-Rei da Índia D. Francisco de Almeida, na bravura do alferes-mor Duarte de Almeida, na batalha de Toro, na inteligência da Marquesa de Alorna e nas incontáveis acções com que tantos ilustraram a História de Portugal, no Continente e na Índia.

João Rodrigues de Sá, senhor de Matosinhos, cantou os Almeidas nestes versos:

Nos douro seys arrivelas
em seus escudos pintados
do sangue honrrados perlados
sempre vimos dentro delas,
& outros leygos destacados;


Dalmeyda, que jaa fez cumes,
deu, & ajuda daa lumes
destado, & de senhorio
Abrantes, Crato, & quem Dio
vyo desbaralar os rumes.

Trazem por armas: De vermelho, com dobre-cruz acompanhada de seus besantes, tudo de ouro; e bordadura da mesma. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Aguiar

"Da antiga e ilustre família dos Guedes procedeu a dos Aguiares, que tomou o apelido do senhorio de Aguiar, na província de Trás-os-Montes, e o primeiro a usa-lo foi D. Mendo Peres de Aguiar, que casou com D. Maior Garcia de Portocarreiro e viveu em tempo de D. Afonso Henriques, dele vindo os que se assim chamaram. Desta família saiu a dos Aguilares, muito qualificada em Espanha.

Tanto no Continente como nas Ilhas teve larga expansão, mantendo sempre honrada nobreza, que procurou consolidar com acções dignas dos feitos dos seus maiores.

D. João Ribeiro Gaio, bispo de Malaca, cantou os Aguiares na seguinte trova:

D'Aguiar foram senhores
Verdadeiros e leais
De antigos antecessores
Mas não tiveram mais
Por pertencer a Aguiares

Manuel de Sousa da Silva, insigne linhagista, a seu respeito escreveu esta quintilha:

Desse Dom Guêda antigo
Tem os de nome honrado
De Aguiar sublinhado
Por terem o seu abrigo
N'esta terra assim chamada.

As armas que usam são: De ouro, com águia estendida de vermelho, bicada e sancada de negro. (...)"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

domingo, 1 de julho de 2012

Pamplona

"Família originária da Navarra, cujo apelido tomou da sua capital, a cidade de Pamplona, e tem solar em Trujillos. Passou a Portugal na pessoa de Vasco Pamplona, pai de Pedro Vaz Pamplona, morador na cidade do Porto em 1504, casado com Catarina Martins, de quem teve D. Maria Vaz Pamplona, senhora da casa de seu pai e casada com João Álvares, que no ano de 1525 instituiu a capela no mosteiro de S. Domingos, do Porto, filho de Álvaro Afonso Dinis, que viveu na referida cidade nos reinados de D. João I, D. Duarte e D. Afonso V e nela foi vereador em 1428,  neto paterno de Afonso Martins. Deste matrimónio com João Álvares, senhor do Paço de Beire, houve D. Maria Vaz geração, pela qual se propagou o apelido de Pamplona.

Ao ilustre genealogista do século XVII, Manuel de Sousa da Silva, se devem os seguintes versos em honra desta família:

Lá em Navarra Tadella
Foi patria do singular
Que por Pamplona livrar
Tem os seus nomes della
Vem para o Porto morar.

As suas armas são: De vermelho, com seis faixas de ouro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Ourém

"Família de origem desconhecida, cujo apelido deve ter tomado da vila de seu nome.

Atribuem-se-lhe as seguintes armas: De prata, com uma águia estendida de negro, armada de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sábado, 30 de junho de 2012

Távora

"A linhagem dos Távoras é das mais antigas e chegou ao reinado de D. José I, quando o apelido foi extinto por lei, com representação sem quebra de varonia, caso raro. Os genealogistas dizem que os Távora descendem do rei de Leão D. Ramiro II e de D. Artiga, que lhe dão por terceira mulher, informando que anteriormente se chamava Zara e era irmã de Alboazar Alcocadão, senhor de Gaia, da qual aquele soberano houvera a D. Alboazar Ramires, casado com D. Helena Godins, filha de D. Godinho das Astúrias, pais de D. Hermingo Alboazar, marido de D. Dordia Osores, de quem teve a D. Rosendo Hermingues, povoador e senhor da beatria de Távora, famoso guerreiro, o qual se recebeu com D. Urraca Afonso. D. Rosendo e sua mulher tiveram vários filhos, entre eles D. Tedon Rosendes, senhor de Távora, que contraiu matrimónio com D. Sancha Mendes, que teve terras até então incultas, onde fez quinta em que se originou a povoação de Granja do Tejo. Sucedeu-lhe seu filho D. Ramiro Tedóniz, senhor de Távora, e sucessivamente, de pais a filhos, D. Pedro Ramires, senhor de Távora e fundador do mosteiro de S. Pedro das Águias, D. Ramiro Pires, senhor de Távora, Pedro Ramires, que teve o mesmo senhorio, e Lourenço Pires de Távora, sucessor de seus maiores e senhor das vilas de Paradela, Valença e Castanheiro e do couto de S. Pedro das Águias, cujo padroado pertencia à família. Casou este Lourenço Pires de Távora com D. Guimar Rodrigues, filha de Rui Pais de Gares, de quem houve geração propagadora do apelido, cujo uso uma lei proibiu depois do atentado contra o Rei D. José I.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, dedicou aos Távoras estes versos:

As ondas de Távora são
de sangue azul mudadas
derramadas dos que estão
em S. Pedro já
sendo desta geração.

As armas que lhes pertencem e das quais estiveram privados pela lei, são: De prata, com cinco faixas ondadas de azul. (...)

Os marqueses de Távora (anteriormente Condes de S. João da Pesqueira, e Condes de Alvor) trouxeram as suas armas pelo modo seguinte, que vários ramos usaram: De prata, com cinco faixas ondadas de azul, a do meio carregada de um golfinho de prata; bordadura do campo, carregada das palavras Quasqunque findit, em letras de negro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Joanes

"Patronímico de João, assim como Anes, Eanes e Enes, pelo que a sua origem é vária. Os descendentes de Domingos Joanes, que viveu em Oliveira do Hospital, não se chamaram Joanes, mas, como este era o único apelido daquele, além do nome de baptismo, assim ficou registado nos livros de brasões de armas. A estátua deste cavaleiro encontra-se na capela dos Ferreiros, fundada por ele e sua mulher, na vila de Oliveira do Hospital. É equestre e ele está vestido de armas, empunhando maça, tem suspenso do ombro o escudo, onde se vêem as suas armas. Estas são: De azul, com aspa de prata acompanhada por quatro flores-de-lis de ouro. A aspa do escudo, com uma das flores-de-lis entre os braços superiores. Foram estas armas concedidas por Carta de 23 de Abril de 1515 ao seu quarto neto, Fr. André do Amaral, do Conselho do Rei D. Manuel, chanceler-mor e embaixador de Rodes, comendador de Vera Cruz. Por tal motivo alguns, erradamente, as descrevem como sendo do apelido Amaral."



Estátua de Domingos Joanes na Capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete