sexta-feira, 6 de julho de 2012

Batalha

"Ignora-se a origem desta família. Parece que em Portugal existem algumas linhagens do mesmo apelido com proveniências diversas e nacionalidades diferentes.

Sabe-se que já na primeira metade do século XVIII usavam as seguintes armas, bastante parecidas com as de uma família da Borgonha, chamada Bataille de Mandelot: De azul, com três flamas de ouro, relançadas de vermelho. Timbre: uma flama do escudo"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Almada

"Parece que foi Joane Anes de Almada, servidor dos Reis D. Afonso IV, D. Pedro I e D. Fernando I, quem principiou a usar este apelido, e que descendia de algum dos fidalgos ingleses que ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, por cujo motivo lhes deu o mesmo príncipe o lugar de Almada.

Notabilizaram-se os Almadas por muitos feitos de valor, sobressaindo nesta família o grande patriotismo de que sempre deu provas.

João Vaz de Almada, que serviu D. João I, cavaleiro da Ordem da Jarreteira, assim como seu filho, D. Álvaro Vaz de Almada, morto na batalha de Alfarrobeira, em companhia do Infante D. Pedro, de quem era partidário e amigo, e D. Antão de Almada, um dos quarenta conjurados que ajudaram a sacudir o jugo castelhano e a restaurar o trono português, simbolizam as virtudes guerreiras e o amor à Pátria da família que tão bem soube defende-la e honrá-la.

De Álvaro Vaz de Almada, Conde de Avranches, em França, e de sua primeira mulher, D. Isabel da Cunha, provieram os Abranches.

D. João Ribeiro Gaio, Bispo de Malaca, fez aos Almadas e Abranches a seguinte quintilha:

Dos Almançores temidos,
das batalhas vencedores,
em suma embaixadores,
na paz melhor vestidos,
nas Hespanhas os melhores.

As armas que os deste apelido usam em Portugal e Espanha são: De ouro, com banda de azul, carregada de duas cruzes florenciadas e vazias de ouro, acompanhada de duas aguietas estendidas de vermelho, armadas e sancadas de negro. Timbre: uma aguieta do escudo."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Camões

"Família galega de que o primeiro em Portugal foi Vasco Peres de Camões, que veio servir o Rei D. Fernando, cujo partido tomara nas pretensões que teve à Coroa de Castela contra D. Henrique, o Bastardo. D. Fernando lhe deu, por tal motivo, as alcaidarias-mores de Portalegre e Alenquer, diversas vilas e as herdades e terras que a sua irmã, a Infanta D. Beatriz, possuía em Estremoz, perdendo quase tudo por seguir o Rei de Castela D. João I, quando quis apossar-se da Coroa portuguesa. Na batalha de Aljubarrota, onde se encontrava com seu primo Aires Pires de Camões, que também viera para Portugal em serviço de D. Fernando, ficou prisioneiro e este morto. Do seu matrimónio com D. Mariana Tenreiro, filha de Gonçalves Tenreiro, capitão-mor da armada de Portugal em tempo de D. Fernando, e de Maria Fernandes, teve diversos filhos por quem se continuou o apelido de Camões.

As suas armas são: De verde, com uma serpe de ouro, saiante em pala de entre dois penhascos de prata. Timbre: a serpe do escudo, sainte."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Calatayud

"Família espanhola que procede de Rodrigo Sanches Zapata de Catalayud e de Iria Ximenes, pessoas de antiga nobreza, apelido tomado da cidade de Calatayud, no Reino de Aragão. Passou a Portugal ao serviço de D. Leonor, mulher do rei D. Manuel, João de Calatayud, que casou neste reino com D. Constança Soares de Figueiroa, senhora castelhana que também veio com a mesma princesa no ofício de camareira-menor. Deste matrimónio nasceram vários filhos que usaram o apelido Calatayud, um dos quais foi porteiro-mor de D. Sebastião. Dos restantes só um passou a Castela, onde se recebeu e viveu, deixando geração.

As armas que usam são: De vermelho, com uma sapata xadrezada de prata e negro; bordadura cosida do primeiro, carregada de oito esmaltes de ouro, cada escudete com uma banda de negro."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Miranda

"Provém esta família de Afonso Pires de Charneca, cidadão principal de Lisboa, dos que ajudaram D. João I no começo do seu reinado e um dos cinco companheiros que D. Nuno Alvares Pereira tomou quando desafiou D. João Ansores. Foi também, um dos quatro que os de Lisboa escolheram e o Condestável tomou para o seu conselho. Teve o senhorio das Alcáçovas e de outras terras e, também, dos lagares de El-Rei em Lisboa, os quais lhe oram dados pelos serviços que prestou.

Afonso Pires recebeu-se com Constança Esteves, de quem houve, entre outros, a Martim Afonso de Charneca, o qual andou em demanda com seu irmão Afonso Rodrigues muito tempo sobre quem havia de herdar as Alcáçovas e os lagares de El-Rei, cabendo-lhes tudo por mandado de D. João I, se bem que era clérigo. Foi enviado por embaixador a França, de onde se diz trouxe uma senhora francesa, que outros pretendem ser castelhana e chamar-se D. Mécia Gonçalves de Miranda, da qual houve filhos que tomaram o seu apelido por a sua muito nobre linhagem. Foi arcebispo de Braga e instituiu dois vínculos, que deixou aos dois filhos mais velhos. O Rei lhe doou S. Cristóvão de Lisboa, onde fez uma capela para o vínculo principal, em cujo compromisso mandou que seus descendentes se chamassem Mirandas. Sepultou-se na referida capela. Seus foram Martim Afonso de Miranda, rico-homem, senhor do morgado da Patameira, junto de Torres Vedras, instituído por seu pai, o qual se recebeu com D. Genebra Pereira, filha de Aires Gonçalves de Figueiredo, com geração; Fernão Gonçalves de Miranda, senhor do segundo morgado instituído por seu pai, rico-homem, casado com D. Branca de Sousa, filha de Afonso Vaz de Sousa, com geração; D. Margarida de Miranda, primeira mulher de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Viana, com geração; D. Leonor de Miranda, mulher de Aires Gomes da Silva, com geração; e D. Maria de Miranda, primeira mulher de Gonçalo Pereira de Riba de Vizela, com geração.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, escreveu os seguintes versos, dedicados a esta família:

Aspa trazem colorada
os que tiveram Miranda
e aquela nobre Aranda
sobre ouro atravessada
com flores de lis em banda.

As armas dos Miranda são: De ouro, com aspa de vermelho, acompanhada de quatro flores-de-lis de verde. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Almeida

"Provêm os Almeidas de Fernão Canelas, senhor das quintas do Pinheiro e de Canelas, na freguesia de Mangualde, pai de João Fernandes de Almeida, que pelos anos de 1223 a 1245 fundou no julgado de Azurara da Beira, hoje concelho de Mangualde, uma aldeia, denominada Almeida, em 1258, da qual tomou o apelido, que transmitiu aos seus descendentes.

João Fernandes de Almeida foi também senhor das quintas do Pinheiro e de Canelas. A aldeia de Almeida no século XVII passou a chamar-se Almeidinha, lugar que deu nome ao título de Barão e Visconde, concedido aos Amarais Osórios.

Foi a dos Almeidas uma das mais preclaras famílias do Reino, deixando imorredoura memória nos feitos do Vice-Rei da Índia D. Francisco de Almeida, na bravura do alferes-mor Duarte de Almeida, na batalha de Toro, na inteligência da Marquesa de Alorna e nas incontáveis acções com que tantos ilustraram a História de Portugal, no Continente e na Índia.

João Rodrigues de Sá, senhor de Matosinhos, cantou os Almeidas nestes versos:

Nos douro seys arrivelas
em seus escudos pintados
do sangue honrrados perlados
sempre vimos dentro delas,
& outros leygos destacados;


Dalmeyda, que jaa fez cumes,
deu, & ajuda daa lumes
destado, & de senhorio
Abrantes, Crato, & quem Dio
vyo desbaralar os rumes.

Trazem por armas: De vermelho, com dobre-cruz acompanhada de seus besantes, tudo de ouro; e bordadura da mesma. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Aguiar

"Da antiga e ilustre família dos Guedes procedeu a dos Aguiares, que tomou o apelido do senhorio de Aguiar, na província de Trás-os-Montes, e o primeiro a usa-lo foi D. Mendo Peres de Aguiar, que casou com D. Maior Garcia de Portocarreiro e viveu em tempo de D. Afonso Henriques, dele vindo os que se assim chamaram. Desta família saiu a dos Aguilares, muito qualificada em Espanha.

Tanto no Continente como nas Ilhas teve larga expansão, mantendo sempre honrada nobreza, que procurou consolidar com acções dignas dos feitos dos seus maiores.

D. João Ribeiro Gaio, bispo de Malaca, cantou os Aguiares na seguinte trova:

D'Aguiar foram senhores
Verdadeiros e leais
De antigos antecessores
Mas não tiveram mais
Por pertencer a Aguiares

Manuel de Sousa da Silva, insigne linhagista, a seu respeito escreveu esta quintilha:

Desse Dom Guêda antigo
Tem os de nome honrado
De Aguiar sublinhado
Por terem o seu abrigo
N'esta terra assim chamada.

As armas que usam são: De ouro, com águia estendida de vermelho, bicada e sancada de negro. (...)"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete