sábado, 7 de julho de 2012

Braga

"É mal conhecida a origem desta família que, segundo se supõe, tomou o apelido da cidade de Braga. A pessoa mais antiga que se encontra com ele é Gonçalo Esteves de Braga, que viveu no reinado de D. Fernando. Possuí bens em Coimbra, que o Rei deu por Carta de 6 de Outubro de 1369, a João Gonçalves Cerveira, para ele e seus descendentes.

Usam as seguintes armas: De vermelho, com uma torre de prata aberta e iluminada de negro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Borja

"Família espanhola de grande categoria, que passou à Itália, tomando ali o seu apelido a forma Bórgia. Em Portugal um dos mais notáveis membros desta família, que depois foi elevado aos altares como S. Francisco de Borja, casou com D. Leonor de Castro, filha de D. Álvaro de Castro, senhor de Torrão, e de D. Isabel de Melo, e um filho do Duque santo, D. João de Borja, Conde de Ficalho, também se recebeu, em segundas núpcias, com uma portuguesa, D. Francisca de Aragão, filha de Nuno Rodrigues Barreto, senhor da Quarteira e alcaide-mor de Faro, e de D. Isabel de Melo, da qual deixou ilustre descendência.

As armas usadas pelos Borjas são: De ouro, com boi passante de vermelho: bordadura de verde carregada de oito flamas de ouro. Timbre: o boi do escudo."



In: Armorial Lusitano: Afonso Eduardo Martins Zúquete

Beja

"Desconhece-se a origem desta família, sabendo-se apenas que tirou a sua designação da cidade de Beja. Já existiam pessoas deste apelido no reinado de D. Dinis como: Pedro Esteves de Beja, bom cavaleiro, privado do mesmo soberano e meirinho-mor da província de Entre Douro e Minho; Gomes Lourenço de Beja, valido do mencionado Rei e comendador-mor da Ordem de Sant'Iago; e João Domingues de Beja, escrivão da Puridade de D. Dinis e seu porteiro-mor, conselheiro e vassalo de D. Afonso IV, com quem esteve na batalha do Salado. João Domingues de Beja era filho de Domingues Pais de Beja, reposteiro-mor do Lavrador.

As armas dos Bejas são: Do vermelho, com cruz de ouro cantonado de quatro flores-de-lis do mesmo. Timbre: uma aspa de vermelho carregada em chefe de duas flores-de-lis de ouro.



Outros trazem por armas: Esquartelado; o primeiro e o quarto de vermelho, com cruz de ouro cantonada de quatro flores-de-lis do mesmo; o segundo e o terceiro,  com uma águia estendida de púrpura. Timbre: a águia do escudo com uma flor-de-lis de ouro no peito."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Batalha

"Ignora-se a origem desta família. Parece que em Portugal existem algumas linhagens do mesmo apelido com proveniências diversas e nacionalidades diferentes.

Sabe-se que já na primeira metade do século XVIII usavam as seguintes armas, bastante parecidas com as de uma família da Borgonha, chamada Bataille de Mandelot: De azul, com três flamas de ouro, relançadas de vermelho. Timbre: uma flama do escudo"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Almada

"Parece que foi Joane Anes de Almada, servidor dos Reis D. Afonso IV, D. Pedro I e D. Fernando I, quem principiou a usar este apelido, e que descendia de algum dos fidalgos ingleses que ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, por cujo motivo lhes deu o mesmo príncipe o lugar de Almada.

Notabilizaram-se os Almadas por muitos feitos de valor, sobressaindo nesta família o grande patriotismo de que sempre deu provas.

João Vaz de Almada, que serviu D. João I, cavaleiro da Ordem da Jarreteira, assim como seu filho, D. Álvaro Vaz de Almada, morto na batalha de Alfarrobeira, em companhia do Infante D. Pedro, de quem era partidário e amigo, e D. Antão de Almada, um dos quarenta conjurados que ajudaram a sacudir o jugo castelhano e a restaurar o trono português, simbolizam as virtudes guerreiras e o amor à Pátria da família que tão bem soube defende-la e honrá-la.

De Álvaro Vaz de Almada, Conde de Avranches, em França, e de sua primeira mulher, D. Isabel da Cunha, provieram os Abranches.

D. João Ribeiro Gaio, Bispo de Malaca, fez aos Almadas e Abranches a seguinte quintilha:

Dos Almançores temidos,
das batalhas vencedores,
em suma embaixadores,
na paz melhor vestidos,
nas Hespanhas os melhores.

As armas que os deste apelido usam em Portugal e Espanha são: De ouro, com banda de azul, carregada de duas cruzes florenciadas e vazias de ouro, acompanhada de duas aguietas estendidas de vermelho, armadas e sancadas de negro. Timbre: uma aguieta do escudo."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Camões

"Família galega de que o primeiro em Portugal foi Vasco Peres de Camões, que veio servir o Rei D. Fernando, cujo partido tomara nas pretensões que teve à Coroa de Castela contra D. Henrique, o Bastardo. D. Fernando lhe deu, por tal motivo, as alcaidarias-mores de Portalegre e Alenquer, diversas vilas e as herdades e terras que a sua irmã, a Infanta D. Beatriz, possuía em Estremoz, perdendo quase tudo por seguir o Rei de Castela D. João I, quando quis apossar-se da Coroa portuguesa. Na batalha de Aljubarrota, onde se encontrava com seu primo Aires Pires de Camões, que também viera para Portugal em serviço de D. Fernando, ficou prisioneiro e este morto. Do seu matrimónio com D. Mariana Tenreiro, filha de Gonçalves Tenreiro, capitão-mor da armada de Portugal em tempo de D. Fernando, e de Maria Fernandes, teve diversos filhos por quem se continuou o apelido de Camões.

As suas armas são: De verde, com uma serpe de ouro, saiante em pala de entre dois penhascos de prata. Timbre: a serpe do escudo, sainte."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Calatayud

"Família espanhola que procede de Rodrigo Sanches Zapata de Catalayud e de Iria Ximenes, pessoas de antiga nobreza, apelido tomado da cidade de Calatayud, no Reino de Aragão. Passou a Portugal ao serviço de D. Leonor, mulher do rei D. Manuel, João de Calatayud, que casou neste reino com D. Constança Soares de Figueiroa, senhora castelhana que também veio com a mesma princesa no ofício de camareira-menor. Deste matrimónio nasceram vários filhos que usaram o apelido Calatayud, um dos quais foi porteiro-mor de D. Sebastião. Dos restantes só um passou a Castela, onde se recebeu e viveu, deixando geração.

As armas que usam são: De vermelho, com uma sapata xadrezada de prata e negro; bordadura cosida do primeiro, carregada de oito esmaltes de ouro, cada escudete com uma banda de negro."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Miranda

"Provém esta família de Afonso Pires de Charneca, cidadão principal de Lisboa, dos que ajudaram D. João I no começo do seu reinado e um dos cinco companheiros que D. Nuno Alvares Pereira tomou quando desafiou D. João Ansores. Foi também, um dos quatro que os de Lisboa escolheram e o Condestável tomou para o seu conselho. Teve o senhorio das Alcáçovas e de outras terras e, também, dos lagares de El-Rei em Lisboa, os quais lhe oram dados pelos serviços que prestou.

Afonso Pires recebeu-se com Constança Esteves, de quem houve, entre outros, a Martim Afonso de Charneca, o qual andou em demanda com seu irmão Afonso Rodrigues muito tempo sobre quem havia de herdar as Alcáçovas e os lagares de El-Rei, cabendo-lhes tudo por mandado de D. João I, se bem que era clérigo. Foi enviado por embaixador a França, de onde se diz trouxe uma senhora francesa, que outros pretendem ser castelhana e chamar-se D. Mécia Gonçalves de Miranda, da qual houve filhos que tomaram o seu apelido por a sua muito nobre linhagem. Foi arcebispo de Braga e instituiu dois vínculos, que deixou aos dois filhos mais velhos. O Rei lhe doou S. Cristóvão de Lisboa, onde fez uma capela para o vínculo principal, em cujo compromisso mandou que seus descendentes se chamassem Mirandas. Sepultou-se na referida capela. Seus foram Martim Afonso de Miranda, rico-homem, senhor do morgado da Patameira, junto de Torres Vedras, instituído por seu pai, o qual se recebeu com D. Genebra Pereira, filha de Aires Gonçalves de Figueiredo, com geração; Fernão Gonçalves de Miranda, senhor do segundo morgado instituído por seu pai, rico-homem, casado com D. Branca de Sousa, filha de Afonso Vaz de Sousa, com geração; D. Margarida de Miranda, primeira mulher de D. Pedro de Meneses, 2º Conde de Viana, com geração; D. Leonor de Miranda, mulher de Aires Gomes da Silva, com geração; e D. Maria de Miranda, primeira mulher de Gonçalo Pereira de Riba de Vizela, com geração.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, escreveu os seguintes versos, dedicados a esta família:

Aspa trazem colorada
os que tiveram Miranda
e aquela nobre Aranda
sobre ouro atravessada
com flores de lis em banda.

As armas dos Miranda são: De ouro, com aspa de vermelho, acompanhada de quatro flores-de-lis de verde. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Almeida

"Provêm os Almeidas de Fernão Canelas, senhor das quintas do Pinheiro e de Canelas, na freguesia de Mangualde, pai de João Fernandes de Almeida, que pelos anos de 1223 a 1245 fundou no julgado de Azurara da Beira, hoje concelho de Mangualde, uma aldeia, denominada Almeida, em 1258, da qual tomou o apelido, que transmitiu aos seus descendentes.

João Fernandes de Almeida foi também senhor das quintas do Pinheiro e de Canelas. A aldeia de Almeida no século XVII passou a chamar-se Almeidinha, lugar que deu nome ao título de Barão e Visconde, concedido aos Amarais Osórios.

Foi a dos Almeidas uma das mais preclaras famílias do Reino, deixando imorredoura memória nos feitos do Vice-Rei da Índia D. Francisco de Almeida, na bravura do alferes-mor Duarte de Almeida, na batalha de Toro, na inteligência da Marquesa de Alorna e nas incontáveis acções com que tantos ilustraram a História de Portugal, no Continente e na Índia.

João Rodrigues de Sá, senhor de Matosinhos, cantou os Almeidas nestes versos:

Nos douro seys arrivelas
em seus escudos pintados
do sangue honrrados perlados
sempre vimos dentro delas,
& outros leygos destacados;


Dalmeyda, que jaa fez cumes,
deu, & ajuda daa lumes
destado, & de senhorio
Abrantes, Crato, & quem Dio
vyo desbaralar os rumes.

Trazem por armas: De vermelho, com dobre-cruz acompanhada de seus besantes, tudo de ouro; e bordadura da mesma. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Aguiar

"Da antiga e ilustre família dos Guedes procedeu a dos Aguiares, que tomou o apelido do senhorio de Aguiar, na província de Trás-os-Montes, e o primeiro a usa-lo foi D. Mendo Peres de Aguiar, que casou com D. Maior Garcia de Portocarreiro e viveu em tempo de D. Afonso Henriques, dele vindo os que se assim chamaram. Desta família saiu a dos Aguilares, muito qualificada em Espanha.

Tanto no Continente como nas Ilhas teve larga expansão, mantendo sempre honrada nobreza, que procurou consolidar com acções dignas dos feitos dos seus maiores.

D. João Ribeiro Gaio, bispo de Malaca, cantou os Aguiares na seguinte trova:

D'Aguiar foram senhores
Verdadeiros e leais
De antigos antecessores
Mas não tiveram mais
Por pertencer a Aguiares

Manuel de Sousa da Silva, insigne linhagista, a seu respeito escreveu esta quintilha:

Desse Dom Guêda antigo
Tem os de nome honrado
De Aguiar sublinhado
Por terem o seu abrigo
N'esta terra assim chamada.

As armas que usam são: De ouro, com águia estendida de vermelho, bicada e sancada de negro. (...)"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

domingo, 1 de julho de 2012

Pamplona

"Família originária da Navarra, cujo apelido tomou da sua capital, a cidade de Pamplona, e tem solar em Trujillos. Passou a Portugal na pessoa de Vasco Pamplona, pai de Pedro Vaz Pamplona, morador na cidade do Porto em 1504, casado com Catarina Martins, de quem teve D. Maria Vaz Pamplona, senhora da casa de seu pai e casada com João Álvares, que no ano de 1525 instituiu a capela no mosteiro de S. Domingos, do Porto, filho de Álvaro Afonso Dinis, que viveu na referida cidade nos reinados de D. João I, D. Duarte e D. Afonso V e nela foi vereador em 1428,  neto paterno de Afonso Martins. Deste matrimónio com João Álvares, senhor do Paço de Beire, houve D. Maria Vaz geração, pela qual se propagou o apelido de Pamplona.

Ao ilustre genealogista do século XVII, Manuel de Sousa da Silva, se devem os seguintes versos em honra desta família:

Lá em Navarra Tadella
Foi patria do singular
Que por Pamplona livrar
Tem os seus nomes della
Vem para o Porto morar.

As suas armas são: De vermelho, com seis faixas de ouro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Ourém

"Família de origem desconhecida, cujo apelido deve ter tomado da vila de seu nome.

Atribuem-se-lhe as seguintes armas: De prata, com uma águia estendida de negro, armada de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sábado, 30 de junho de 2012

Távora

"A linhagem dos Távoras é das mais antigas e chegou ao reinado de D. José I, quando o apelido foi extinto por lei, com representação sem quebra de varonia, caso raro. Os genealogistas dizem que os Távora descendem do rei de Leão D. Ramiro II e de D. Artiga, que lhe dão por terceira mulher, informando que anteriormente se chamava Zara e era irmã de Alboazar Alcocadão, senhor de Gaia, da qual aquele soberano houvera a D. Alboazar Ramires, casado com D. Helena Godins, filha de D. Godinho das Astúrias, pais de D. Hermingo Alboazar, marido de D. Dordia Osores, de quem teve a D. Rosendo Hermingues, povoador e senhor da beatria de Távora, famoso guerreiro, o qual se recebeu com D. Urraca Afonso. D. Rosendo e sua mulher tiveram vários filhos, entre eles D. Tedon Rosendes, senhor de Távora, que contraiu matrimónio com D. Sancha Mendes, que teve terras até então incultas, onde fez quinta em que se originou a povoação de Granja do Tejo. Sucedeu-lhe seu filho D. Ramiro Tedóniz, senhor de Távora, e sucessivamente, de pais a filhos, D. Pedro Ramires, senhor de Távora e fundador do mosteiro de S. Pedro das Águias, D. Ramiro Pires, senhor de Távora, Pedro Ramires, que teve o mesmo senhorio, e Lourenço Pires de Távora, sucessor de seus maiores e senhor das vilas de Paradela, Valença e Castanheiro e do couto de S. Pedro das Águias, cujo padroado pertencia à família. Casou este Lourenço Pires de Távora com D. Guimar Rodrigues, filha de Rui Pais de Gares, de quem houve geração propagadora do apelido, cujo uso uma lei proibiu depois do atentado contra o Rei D. José I.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, dedicou aos Távoras estes versos:

As ondas de Távora são
de sangue azul mudadas
derramadas dos que estão
em S. Pedro já
sendo desta geração.

As armas que lhes pertencem e das quais estiveram privados pela lei, são: De prata, com cinco faixas ondadas de azul. (...)

Os marqueses de Távora (anteriormente Condes de S. João da Pesqueira, e Condes de Alvor) trouxeram as suas armas pelo modo seguinte, que vários ramos usaram: De prata, com cinco faixas ondadas de azul, a do meio carregada de um golfinho de prata; bordadura do campo, carregada das palavras Quasqunque findit, em letras de negro. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Joanes

"Patronímico de João, assim como Anes, Eanes e Enes, pelo que a sua origem é vária. Os descendentes de Domingos Joanes, que viveu em Oliveira do Hospital, não se chamaram Joanes, mas, como este era o único apelido daquele, além do nome de baptismo, assim ficou registado nos livros de brasões de armas. A estátua deste cavaleiro encontra-se na capela dos Ferreiros, fundada por ele e sua mulher, na vila de Oliveira do Hospital. É equestre e ele está vestido de armas, empunhando maça, tem suspenso do ombro o escudo, onde se vêem as suas armas. Estas são: De azul, com aspa de prata acompanhada por quatro flores-de-lis de ouro. A aspa do escudo, com uma das flores-de-lis entre os braços superiores. Foram estas armas concedidas por Carta de 23 de Abril de 1515 ao seu quarto neto, Fr. André do Amaral, do Conselho do Rei D. Manuel, chanceler-mor e embaixador de Rodes, comendador de Vera Cruz. Por tal motivo alguns, erradamente, as descrevem como sendo do apelido Amaral."



Estátua de Domingos Joanes na Capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Sarcide

"Família irlandesa que veio para Portugal na pessoa de Roberto Sarcide, o qual fez assento em Lisboa e provando ser fidalgo e descender da linhagem do seu apelido teve Carta de brasão de armas de sucessão, passada a 21 de Junho de 1524, para si e seu filho.

As armas atribuídas a este apelido são as seguintes: De arminhos, com cruz de vermelho."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Guerra

"Há duas famílias deste apelido em Portugal, uma das quais originária das Astúrias, onde é o seu solar. Desta veio para Portugal Sebastião Rodrigues da Guerra, fidalgo ilustre da Galiza, que viveu na Beira, casado com Isabel Rodrigues, sendo ascendente dos Guerras da vila de Linhares e de outras partes da mesma província. Parece que também outros da mesma família vieram para o nosso país.

Outros Guerras provêm do Rei de Portugal D. Pedro I e de D. Inês de Castro, filha bastarda de D. Pedro Fernandes de Castro, o da Guerra, senhor de Lemos, Sarria e Trastamara, rico-homem e mordomo-mor de D. Afonso XI de Castela, adiantado-mor da fronteira e pertigueiro-mor da terra de Santiago, e de D. Aldonça Soares de Valadares, filha de D. Lourenço Soares de Valadares, rico-homem e fronteiro-mor de Entre Douro e Minho, e de sua mulher, D. Sancha Nunes de Chacim. Seu filho, o Infante D. João, senhor da terra e julgado de Lafões, das vilas de Seia e de Porto de Mós, de Gulfar, Sátão, Penalva, Rio de Moinhos, Besteiros, Sever, Fonte Arcada, Benviver, Moimenta, Armamar, Tanha, Riba de Vizela, Figueiredo, Aguiar da Beira, Cerquiz, Oliveira do Conde, Oliveira do Bairro, com suas jurisdições e rendas, e, também de Gouveia, o qual por seu segundo casamento com D. Constança, filha bastarda de D. Henrique de Castela e de D. Elvira Iñiguez de la Vega, teve o condado de Valência e outras terras. Houve três filhos ilegítimos: D. Afonso de Cascais, D. Paio da Guerra e D. Fernando de Eça. D. Pedro da Guerra recebeu-se com D. Teresa de Andeiro, filha de D. João Fernandes de Andeiro, Conde de Ourém, não se sabendo se foi desta mulher que deixou descendência, na qual continuou o apelido de Guerra, proveniente da alcunha posta a D. Pedro Fernandes de Castro, pai de D. Inês de Castro.

Os Guerras, de que primeiro se tratou, usam por armas: De verde, com uma torre de prata, assente sobre chamas, que a envolvem; bordadura de ouro, carregada da legenda AVE MARIA GRATIA PLENA, de negro. (...)


Os Guerras descendentes do Infante D. João trazem por armas as mesmas que os Eças (v. Eça)"

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete


domingo, 10 de junho de 2012

Casado

"Família de origem castelhana que provém dos Palomaques. Gomes Peres Palomeque, que se supõe pertencer à linhagem dos Carrilhos, foi pai de Diego Gomes Palomeque, casado com D. Teresa de Toledo. Este foi adiantado de Carçola no ano de 1299 e primeiro senhor de vila de Garcies e da torre de S. Tomé, no termo de Jaen, e alcaide-mor da vila e castelo de Quesada, junto de Baeça, no bispado de Córdova, cuja torre comprou para nela fazer fortaleza que defendesse os Cristãos dos Mouros que os perseguiam naquela região. Pedro Dias Carrilho casou com D. Teresa Rodrigues de Biedma, filha de Rodrigo Iñigues de Biedma e de D. Joana Dias de Tunes, da qual teve Diego Sanches de Quesada, 2º senhor da vila de Garcies e da Torre de S. Tomé, pelos tempos de D. Afonso XI de Castela e de seu filho, D. Pedro, o Cruel, a quem seguiu, passando a Portugal, quando se fizeram as pazes. Dele foi filho, entre outros, Ponce Dias de Quesada, morto no concelho de Aguiar com mais fidalgos por D. Pedro, o Cruel, Rei de Castela no ano de 1353, motivo por que seus filhos saíram de Castela, vindo para Portugal Lopo Dias de Quesada, que neste Reino foi agasalhado com honra. Estabeleceu-se no Porto e do seu matrimónio teve Martim Dias de Quesada, que viveu na mesma cidade, onde foi cidadão. Deste nasceu João Casado, também cidadão do Porto, onde morou nos reinados de D. Duarte e de D. Afonso V. Passou a Viana do Castelo e aí recebeu com D. Maria Gomes Madriz, filha de D. Gomes Madriz, comendatário de S. Romão de Neiva. Foram estes os troncos dos Casados, corrupção de apelido e origem.

As armas dos Casados são as mesmas dos Quesadas, a saber; De vermelho, com quatro palas carregadas, cada uma, de seis pontos de arminho, de negro."



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Carducho

"Família italiana que passou a Portugal, transformando o apelido originário - Carducci.

As suas armas são: Faixado de prata e de azul, com uma banda atravessante."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sábado, 9 de junho de 2012

Botelho

"Procedem os Botelhos de D. Vasco Martins Mogudo e de sua primeira mulher, D. Elvira Vaques de Saverosa, por seu filho Martim Vasques Barba, nascido quando ainda vivia o primeiro marido desta senhora, D. Paio Soares de Valadares. Martim Vasques casou-se com D. Urraca ou Elvira Rodrigues, filha de Rui Peres de Ferreira e de D. Teresa Peres de Cambra, e dela teve Pedro Martins Botelho, João Martins Botelho e Alda Martins Botelho, que, primeiro, se recebeu com Fernão Reimão de Canhedo e, em segundas núpcias, com João Pires Alcoforado, o Tenro. Tanto Pedro Martins Botelho como seu irmão João Martins Botelho casaram e tiveram filhos que continuaram o apelido.

O erudito Bispo de Malaca D. João Ribeiro Gaio, cantou os Botelhos nos seguintes versos:

Com D.Vasques Mecia 
Afonso Botelho casou, 
de quem esta linha ficou 
o qual com grande valentia 
em Aguiar acabou.

Também Manuel de Sousa da Silva, notável genealogista, os não esqueceu, escrevendo esta quintilha:

Lá em Ariz de Ferreyra, 
De Aguiar no Concelho 
Ha o logar de Botelho 
Dos Botelhos a primeira 
Casa do Portugal velho.

As Armas que lhe pertencem são: De ouro, com quatro bandas de vermelha. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

domingo, 3 de junho de 2012

Barvança

"Desconhece-se a origem desta família, sabendo-se apenas que as suas armas já existiam antes de 1509 por se encontrarem registadas no Livro do Armeiro-Mor. Se bem que os livros de armas em geral lhe dêem por apelido Barvança, supõem-se que esta forma é antiquada, correspondendo a Barbança.

As suas armas são: De ouro, com cinco escudetes de vermelho. (...)"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete