quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Moutinho

"A pessoa mais antiga que se conhece deste apelido é Vasco Afonso Moutinho, a quem D. João I deu licença em 20 de Novembro de 1429 para edificar o mosteiro de S. Domingos, de Vila Real. Teve vários filhos do mesmo apelido, sendo o mais velho Dinis Vaz Moutinho, casado com Violante Martins de Mesquita, filha de Martim Gonçalves Pimentel e de sua mulher, Inês de Mesquita, da qual houve geração, continuadora do apelido.

D. João Ribeiro Gaio, bispo de Malaca, referiu-se a esta família nos versos seguintes:

De serpe quatro focinhos 
e no meio a flor de liz, 
são as dos nobres Moutinhos 
do Porto ou Matosinhos 
naturais como se diz.

As armas que trazem são: De azul com uma flor-de-lis de ouro, cantonada de quatro cabeças de serpe do mesmo, lampassadas e cortadas de vermelho. Timbre: a cabeça de serpe do escudo."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

domingo, 2 de setembro de 2012

Leme

"Família flamenga, cujo antepassado mais antigo que se conhece é Martim Lem, cavaleiro nobre e rico da cidade de Bruges, que teve de sua mulher Martim Lem e Carlos Lem, almirante de França.

Martim Lem, filho mais velho, sucedeu na casa e nos feudos paternos. Mostrou-se tão admirador de Portugal que desejou contribuir para a expedição de D. Afonso V contra os infiéis, para o que aparelhou uma urca à sua custa, na qual mandou seus filhos António Leme com vários homens de lanças e espingardas para com ele servirem. Embora as notícias da família assim o refiram, parece, porém, que este Martim Lem veio para Portugal com o fim de comerciar, estabelecendo-se em Lisboa com grande negócio e a quem D. Afonso V tomou por escudeiro-fidalgo da sua Casa em agradecimento de ter mandado armar à sua custa uma embarcação em que seu filho com gente de armas o foi servir em África. Martim Lem não se casou, mas teve com Leonor Rodrigues, mulher solteira, os seguintes filhos bastardos: Luís Leme, legitimado com todos os seus irmãos em 1464 por D. Afonso V, a pedido do seu pai, a quem se chama flamengo honrado, escudeiro e mercador em Lisboa, sem mais notícia; Martim Leme, gentil-homem da casa do Imperador Maximiliano I, sem mais notícia; António Leme, que passou em África a servir na guerra contra os Mouros, por ordem de seu pai, como se referiu acima, e se encontrou na tomada de Arzila e na de Tânger no ano de 1463, por cujos serviços o Rei o fez fidalgo da sua Casa, e de onde passou para a de seu filho, o Príncipe D. João, quando lhe pôs casa, teve confirmação das armas paternas por Carta de 12 de Novembro de 1471 e se recebeu com D. Catarina de Barros, filha de Pedro Gonçalves da Clara e de sua mulher, Isabel de Barros, casamento que alguns atribuem a seu neto de igual nome, de quem descendem os Lemes da Madeira; Rodrigo Leme, sem geração; Catarina Leme, que se recebeu com Fernão Gomes da Mina, com geração, e Maria Leme, casada com Martim Denis, com geração.

O apelido na Flandres é Lem, cuja pronúncia se manteve em Portugal pela adição de um e final.

As armas dos Lemes, usadas na Flandres e em Portugal são: De prata, com três merletas de negro. Timbre: uma merleta do escudo.


As armas usadas por António Leme e seus descendentes, conforme a Carta do Rei D. Afonso V, diferenciadas das de seu pai para as poder usar sem diferença de filho, mas como chefe de linhagem, são: De ouro, com cinco merletas de negro, postas em sautor. Timbre: uma aspa de ouro, carregada de uma merleta de negro.

(Leme, de António Leme)

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Bem

"Família cujo princípio se desconhece, mas que já existia no século XVII. Foi um dos seus ilustres elementos D. Tomás Caetano do Bem, clérigo regular teatino, mestre de Teologia, cronista da Casa de Bragança, académico da Academia Real da História Portuguesa e da Academia Real de Ciências (1718-1797).

As armas que lhes competem são: De prata, com três businas de caça de negro, enbocadas e viroladas de ouro, com cordão vermelho, e uma estrela de oito raios do mesmo, em abismo. Timbre: a estrela do escudo."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Corvacho

"Desconhecem-se as origens desta família, cujo nome provavelmente deriva de alcunha, pois Corvacho é diminutivo de corvo e significa corvo pequeno. As suas armas, que já se encontram no Livro do Armeiro-mor e no Livro da Torre do Tombo, são: De ouro, com três corvos de negro. Timbre: um corvo do escudo."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sábado, 11 de agosto de 2012

Luna

"Descendem os Lunas dos Reis de Navarra pois D. Garcia, Rei de Navarra, e sua mulher D. Estefânia, foram pais do Infante D. Fernando, que herdou da parte da mãe as vilas de Bauta, Cacunida e Oprela e se casou com D. Nuna, filha de D. Iñigo Lopes, o Esquerra, sexto senhor de Biscaia. O infante D. Fernando vivia em 1060 e do referido matrimónio teve D. Lopo Fernandes ou Ferrench, infanção e rico-homem de Aragão; casado com D. Ximena, filha de D. Martim Gomes, o Grande, de sangue real, nascendo deste casamento D. Bacala de Luna, um dos maiores ricos-homens de Aragão, no seu tempo, povoador da vila de Luna, de que tomou apelido. O Rei D. Sancho Ramires o fez Conde de Luna em 1093, pelos seus grandes serviços. À sua iniciativa e valor se deve a conquista aos Mouros da vila de Fahaste, nas margens do Ebro, e o que haverem tornado tributárias do referido soberano muitas outras vilas que pertenciam aos Mouros. Esteve na batalha de Alcoras em 1096, vindo a morrer em 1115 ou 1117.

Foi seu filho D. Lopo Ferrench segundo senhor de Luna e seus estados, esteve com o pai na batalha de Alcoras e morreu em 1136, no campo de Huesca, com quatro cavaleiros da sua linhagem, em serviço do Rei D. Ramiro, o Monge. Recebeu-se com D. Urraca, irmã de D. Pedro Atares, senhor de Borja, de quem houve a D. Pedro Lopes de Luna, terceiro senhor de Luna e seus estados, serviu o Príncipe D. Ramon e esteve em Huesca no ano de 1162, nas Cortes da rainha D. Petronilha. Vivia em 1170, havendo-se consorciado com D. Maior Palas, senhora de Lucerniste, filha de D. Artal Mir, Conde de Palas, senhor de Rideboyle e Tiraga. Deste matrimónio nasceram filhos, que continuaram o apelido de Luna. D. Rodrigo de Luna, filho de outro do mesmo nome e de D. Elvira, passou a Portugal por haver morto na Galiza um fidalgo e se passou a chamar Rui Fernandes de Luna, nome que se diz ser também o de seu pai, a fim de se encobrir, o que justificou seu neto João Jácome de Luna, como atesta uma certidão passada a seu trineto Miguel de Vasconcelos, secretário de Estado, por Gaspar de Faria Severim, também secretário de Estado, em 1638, mencionando a referida justificação, feita em 1576. Este D. Rodrigo de Luna comprou a quinta de Sequeiros, junto a Ponte de Lima, na qual viveu. Casou em Viana do Castelo com D. Mécia Fernandes Soares de Albergaria, filha de Fernão Anes de Ferraz, e de sua mulher, Guiomar Álvares Soares de Albergaria, de quem teve geração.

As armas usadas pelos Lunas, tanto em Espanha como em Portugal, são: De vermelho, com um crescente invertido de prata, e uma campanha do mesmo. Timbre: uma aspa de vermelho, carregada de um crescente invertido de prata, posto ao centro"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Velasco

"Família espanhola, de antiga nobreza, passada a Portugal com D. Ana de Velasco, duquesa de Bragança, mãe do rei D. João IV, e com outras pessoas. Tem o seu solar nas Astúrias.

As suas armas são: Xadrezado de ouro e de veiros, de três peças em faixa e de cinco em pala. Timbre: um leão de veiros armado e lampassado de vermelho."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

Tavares

"É uma das antigas linhagens portuguesas, proveniente, ao que parece, das dos Fonsecas. Dizem os genealogistas que o rico-homem D. Ega Garcia da Fonseca, senhor do couto de Leomil e da honra de Fonseca, houve sua mulher, D. Mor Pais de Cerveira, a D. Pedro Viegas, senhor da Guarda, o qual houve a Estêvão Pires de Tavares e a D. Maria Pires de Tavares, casada com seu primo coirmão D. Mendo Gonçalves da Fonseca, fundador do mosteiro de Mancelos, filho de D. Gonçalo Viegas, senhor de honra de Fonseca e de outras terras, e de sua mulher, D. Urraca Vasques. Estêvão Pires de Tavares tomou o apelido da terra de Tavares, na Beira, e recebeu-se com D. Ouroana Esteves, filha de Estêvão Anes, cidadão honrado e alcaide-mor da Covilhã, e de D. Teresa Afonso. Deste matrimónio ficaram filhos que continuaram o apelido de Tavares, o qual se perdeu a preposição, retomada, tardiamente, por poucos descendentes.

Os Tavares usam as seguintes armas: De ouro, com cinco estrelas de seis raios de vermelho. Timbre: um pescoço e cabeça de cavalo, de vermelho, brindado de ouro"


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete