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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Góios

"Este apelido parece ser o mesmo que Góis, provindo de Nuno Martins de Góios e de sua mulher, Branca Lourenço do Avelar. Nuno Martins de Góios era filho de Martim Vasques de Góis, senhor de Góis, vassalo de D. Pedro I de Portugal, que andou com o Rei D. Pedro de Castela nas lutas que este teve com o Rei de Aragão, e de sua mulher D, Violante de Melo, filha de Martim Afonso de Melo e de D. Maria Vasques de Resende. Do matrimónio referido teve Nuno Martins de Góis geração.

Ao poeta quinhentista João Rodrigues de Sá se devem os seguintes versos dedicados aos Góios:

Sobre prata douro fyno 
com as barras dAragão, 
arminhos tão bem estão. 
E mais hum castelo em pino, 
armas de dom Anyão.

De dom Anyão dEstrada, 
a quem primeiro foy dada 
a vila de Goes derdade 
deixou della nomeada.

As armas dos Góios são: De prata, com três mosquetas de negro; chefe partido de vermelho, com um castelo de ouro (Castela), e de ouro, com quatro palas de vermelho (Aragão). Timbre: o castelo do escudo, tendo à esquerda um estandarte de arminhos, a haste movente, em faixa, das ameias da torre do meio."


In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Guerra

"Há duas famílias deste apelido em Portugal, uma das quais originária das Astúrias, onde é o seu solar. Desta veio para Portugal Sebastião Rodrigues da Guerra, fidalgo ilustre da Galiza, que viveu na Beira, casado com Isabel Rodrigues, sendo ascendente dos Guerras da vila de Linhares e de outras partes da mesma província. Parece que também outros da mesma família vieram para o nosso país.

Outros Guerras provêm do Rei de Portugal D. Pedro I e de D. Inês de Castro, filha bastarda de D. Pedro Fernandes de Castro, o da Guerra, senhor de Lemos, Sarria e Trastamara, rico-homem e mordomo-mor de D. Afonso XI de Castela, adiantado-mor da fronteira e pertigueiro-mor da terra de Santiago, e de D. Aldonça Soares de Valadares, filha de D. Lourenço Soares de Valadares, rico-homem e fronteiro-mor de Entre Douro e Minho, e de sua mulher, D. Sancha Nunes de Chacim. Seu filho, o Infante D. João, senhor da terra e julgado de Lafões, das vilas de Seia e de Porto de Mós, de Gulfar, Sátão, Penalva, Rio de Moinhos, Besteiros, Sever, Fonte Arcada, Benviver, Moimenta, Armamar, Tanha, Riba de Vizela, Figueiredo, Aguiar da Beira, Cerquiz, Oliveira do Conde, Oliveira do Bairro, com suas jurisdições e rendas, e, também de Gouveia, o qual por seu segundo casamento com D. Constança, filha bastarda de D. Henrique de Castela e de D. Elvira Iñiguez de la Vega, teve o condado de Valência e outras terras. Houve três filhos ilegítimos: D. Afonso de Cascais, D. Paio da Guerra e D. Fernando de Eça. D. Pedro da Guerra recebeu-se com D. Teresa de Andeiro, filha de D. João Fernandes de Andeiro, Conde de Ourém, não se sabendo se foi desta mulher que deixou descendência, na qual continuou o apelido de Guerra, proveniente da alcunha posta a D. Pedro Fernandes de Castro, pai de D. Inês de Castro.

Os Guerras, de que primeiro se tratou, usam por armas: De verde, com uma torre de prata, assente sobre chamas, que a envolvem; bordadura de ouro, carregada da legenda AVE MARIA GRATIA PLENA, de negro. (...)


Os Guerras descendentes do Infante D. João trazem por armas as mesmas que os Eças (v. Eça)"

In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete


sexta-feira, 25 de maio de 2012

da Gama

"O mais antigo que se conhece deste apelido é Álvaro Anes da Gama, cavaleiro honrado que, no tempo de D. Afonso III viveu em Olivença. Serviu na conquista do Algarve e foi pai de João Álvares da Gama, contemporâneo de D. Dinis e D. Afonso IV, com o qual, já idoso, se encontrou na batalha do Salado. Casou com Guimoar Cogominho de quem teve Álvaro Anes da Gama, que alcançou o reinado de D. Fernando I, e de sua mulher, Maria Esteves Barreto, houve a Estêvão Vaz da Gama. É neste que os genealogistas costumam principiar os Gamas. Foi casado com Catarina Mendes, que enviuvando aos treze anos viveu com grande virtude e honestidade. Esta senhora fundou a ermida de Nª Srª da Graça, em Elvas, onde morreu seu marido, num monte fora dos muros da praça, contíguo à cidade. Deixou um filho, por nome Vasco da Gama, de quem proveio larga e ilustre geração, entre a qual se encontra o almirante D. Vasco da Gama, seu neto.

João Rodrigues de Sá, nas suas trovas, diz com respeito a D. Vasco da Gama:

A quem lhachou novo mundo 
nova terra, & novo clyma 
deu el rey em grandestima 
sobre os da Gama en fundo 
as suas armas en çima. 

E em quanto dura a fama 
que a India de si derrama 
sempre hyra em nome diante 
do seu primeyro almyrante, 
estee Dom Vasquo da Gama.

O bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, igualmente cantou o almirante nas suas quintilhas, escrevendo:

Venceu primeiro com fama 
as partes orientaes 
e descobriu outras tais 
o grão D. Vasco da Gama 
que trás as quinas reais.

As armas dos Gamas são: Xedrezado de ouro e de vermelho, de três peças em faixa e cinco em pala, as de vermelho carregadas de dois filetes de prata postas em faixa. (...)



A D. Vasco da Gama concedeu D. Manuel I, talvez com o ofício de almirante e o tratamento de dom, em 1500, o acrescentamento nas suas armas, pela forma seguinte: Xedrezado de ouro e de vermelho, de três peças em faixa e cinco em pala, as de vermelho carregadas de dois filetes de prata postas em faixa; e um escudete de prata com cinco escudetes de azul postos em cruz e carregado de cinco besantes de ouro, brocante, ao centro sobre a segunda tira e parte da terceira. (...)"



In: Armorial Lusitano, Afonso Eduardo Martins Zúquete